Antes de comprar terreno para hotel, calcule o retorno anual esperado do ativo. Veja o método por trás da conta e peça o estudo de rentabilidade.

O retorno anual de um hotel vem de três variáveis multiplicadas entre si: taxa de ocupação, diária média e margem depois de custo fixo e variável. O preço do terreno entra na conta como denominador, não como numerador. O que decide se vale a pena comprar não é quanto custa o metro quadrado, é quanto o ativo, já em operação, devolve sobre o capital total investido.
É comum a decisão de compra parar no preço por metro quadrado, comparado a outros terrenos da região. Esse número diz se o terreno está caro ou barato perto de imóveis parecidos, mas não diz nada sobre o retorno do hotel que vai nascer ali.
O preço do terreno é uma linha da conta, não a conta inteira. Dois terrenos com o mesmo preço por metro quadrado podem gerar retornos completamente diferentes, dependendo do produto que a praça sustenta e da marca que o ativo comporta.
Quem compra pelo preço do metro quadrado está respondendo à pergunta errada. A pergunta certa é: quanto esse terreno, transformado no produto certo, devolve por ano sobre o capital total que ele vai exigir?
Quantos dias do ano o quarto está vendido. Depende da demanda da praça, da sazonalidade local e da força da marca escolhida para atrair reserva.
Quanto se cobra por noite vendida, em média, considerando o mix de categoria de quarto. Categoria mal dimensionada para o público da região reduz a diária que o mercado aceita pagar.
O que sobra depois de custo fixo e variável de operação. Dois hotéis com a mesma ocupação e a mesma diária podem entregar retorno diferente se a estrutura de custo for diferente.
O prazo de retorno importa tanto quanto o retorno anual
Retorno anual e prazo de retorno (payback) são duas leituras diferentes do mesmo investimento. Um projeto pode ter retorno anual atrativo e ainda assim levar muitos anos para devolver o capital investido, se o investimento inicial for alto.
Comparar só o retorno anual, sem olhar o prazo para recuperar o capital, esconde parte do risco. Dois projetos com o mesmo retorno anual podem ter perfis de risco muito diferentes se um devolve o capital em sete anos e o outro em quinze.
O que entra na conta antes de qualquer projeção
Considere dois terrenos hipotéticos, no mesmo bairro, com o mesmo preço por metro quadrado. Os números abaixo são ilustrativos, não dados de um ativo real, e servem só para mostrar o raciocínio.
O primeiro comporta um produto econômico, de alta ocupação e diária mais baixa, com estrutura de custo enxuta. O segundo comporta um produto de categoria superior, com ocupação mais sensível a sazonalidade, diária mais alta e estrutura de custo mais pesada.
O retorno anual dos dois pode até se aproximar, mas o prazo de retorno, o risco de vacância em baixa temporada e o capital inicial exigido são diferentes. Nenhum dos dois é certo ou errado, são perfis de risco diferentes que exigem estudo específico, não uma regra geral aplicada aos dois terrenos.
A decisão de marca e de categoria muda a ocupação e a diária que o ativo consegue sustentar naquele mesmo endereço. Um terreno pode comportar mais de um produto possível, e cada produto tem uma curva de retorno diferente.
É por isso que a definição de produto, marca e porte precisa acontecer antes da compra, não depois. Decidir isso depois de fechar negócio deixa o comprador refém do que o terreno já é, em vez de escolher o terreno pelo que ele pode se tornar.
O mercado de hospitalidade no Brasil costuma trabalhar com uma faixa de referência de retorno anual que vai de um dígito alto a baixo dois dígitos sobre o investimento total, variando por praça, categoria e modelo de operação. Essa faixa é referência de mercado, não promessa: não existe um número universal que valha para qualquer terreno.
O número real do seu terreno específico só sai de um estudo de rentabilidade, que cruza demanda local, categoria viável e custo de implantação antes da decisão de compra.
A Atrio aplica o mesmo critério de avaliação de retorno em qualquer um dos 108 hotéis sob operação, nos 18 estados onde atua, desde 1988.
Não existe um número único: o retorno varia por praça, categoria e modelo de operação. O mercado trabalha com faixas de referência, mas o número real de um terreno específico só sai de um estudo de rentabilidade dedicado a ele.
Depende do custo de adaptação frente ao resultado que o ativo, já como hotel, consegue entregar. Cada rota tem seu próprio cálculo, e os dois merecem ser comparados lado a lado antes da decisão.
Hotéis recém-inaugurados costumam levar de um a três anos para estabilizar a curva de ocupação, dependendo da praça e da força da marca escolhida.
Sim. A marca influencia diretamente a taxa de ocupação e a diária média que o ativo consegue sustentar, o que muda o retorno projetado do mesmo terreno.
Sim. Esse é exatamente o papel do estudo de rentabilidade: projetar o retorno considerando praça, produto e categoria antes da decisão de compra, não depois dela.
A condição comercial do estudo de rentabilidade é tratada caso a caso com o time comercial da Atrio.